Presente.


image10Gostaria de ter encontrado coragem para viver a vida que eu queria viver, não a vida que os outros esperavam de mim.
A verdade está bem no topo do texto para que não te escape, no caso de teres que parar de ler. Parece que foi escrita para ti, por isso é que suspiraste quando a viste, e em vez de só pestanejares cerraste os olhos por algum tempo. Nem de propósito. Sentes-te despido por vinte e duas palavras num ecrã, a um dia do Natal. Mas descansa, não é bem assim.

Li há alguns anos um artigo no The Guardian sobre Bronnie Ware, uma enfermeira que registou num blog testemunhos de doentes em fase terminal, acerca do arrependimento. Não me surpreendeu que quase todos nos arrependamos das mesmas coisas antes de morrer, nem tão pouco perceber que conhecia bem as cinco primeiras, mesmo antes de ler o artigo. O que ainda me surpreende é que nos esqueçamos delas em vida, com tanta frequência, que permaneçam a longo prazo apenas aquela vozinha pequena, longe, contínua, a lembrar-nos de que um dia nos vamos arrepender – do que já sabíamos.

Se julgares que este tema é carregado demais para a quadra festiva, podes parar de ler, mas não levas presente.

Todas as pessoas fazem aquilo que melhor sabem e podem com o saber que acumularam ao longo do tempo, e por vezes é fácil deixarmo-nos levar. Fazemos o que os outros fazem porque é aceite, ou não fazemos porque se os outros não fizeram, então não devemos arriscar.

Na área da educação é muito comum contornar-se esta transparência. Pais que evitam atitudes pois temem perder o amor dos filhos (como se isso fosse possível), escolas que mascaram resultados e aspirações, associações de pais que se ocupam de tarefas banais, para evitarem o centro dos problemas.

Bonni Ware concluiu que ter-se privado de ser genuíno é o arrependimento mais comum do ser humano, quando sente que a vida está prestes a terminar. Isso ajuda a compreender muita coisa: porque não realizamos os sonhos, porque respondemos com medo aos desafios, porque ficamos presos a situações difíceis, porque estamos sempre a arranjar desculpas para as coisas não acontecerem.

Por isso hoje quero oferecer-te um presente inspirador, que te vai ajudar a seres mais fiel a ti próprio . Não, não é um link para um ebook gratuito, todo arranjadinho, para te ensinar a avaliares as escolas que conheces melhor que ninguém, porque tens competência, direito e legitimidade para tal. Esquece, nunca te vou fazer isso. Eu, que todos os dias gostava de viver mais a vida que eu quero e não a que os outros esperam de mim, prefiro oferecer-te um pouco de inconformismo. O inconformismo é uma espécie de armadura que podemos usar para nos protegermos do medo, e o medo é a principal razão que nos impede de usar coragem (o medo deve estar no top dez dos principais motivos de arrependimento). Experimenta: quando vestires a armadura e fizeres o que deve ser feito, a sensação é ótima. Quando perceberes como foi fácil e rápido resolver um problema só porque tu quiseste, vais achar-te um pateta por teres adiado, mas um herói por teres conseguido. Se ainda não estiveres preparado, deixa-te inspirar e não te faltarão exemplos. Só esta semana conheci dois casos que te podem ajudar: Isadora Faber, a estudante de 13 anos que motivou a atual revolução que está a acontecer em S. Paulo pela reorganização do sistema de ensino, e Martha Payne, 9 anos, a menina que resolveu contar a chocante verdade sobre a alimentação nas escolas inglesas. Em comum, têm a armadura que vestiram todos os dias para se protegerem das ameaças que receberam apenas por quererem uma escola melhor, e o facto de terem conseguido elevar a qualidade do serviço prestado pelas escolas visadas.

Quando olharem estes exemplos, alguns dirão, lá do alto, que não é assim que se resolvem os problemas (então mostrem lá como é), que é preciso calma (enerva ouvir), ir pelas vias mais adequadas (as do esquecimento?).

Estas duas crianças estão do lado de dentro da armadura, impecáveis, confiantes e certas que a cada Natal terão muito mais para agradecer, do que arrepender.

E tu?

Boas Festas.

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